Google - Tecnologia

terça-feira, 3 de março de 2020

O QUE É DESVIO PADRÃO E ERRO PADRÃO?

O desvio padrão e o erro padrão são dois conceitos importantes da estatística que têm relevância direta em como você interpreta os dados de forma segura e mais próxima da realidade.
Suponha que um restaurante encomende sucos de laranja de uma cooperativa e sucos de uva de outra cooperativa. Ambas fornecem os sucos em garrafas com capacidade de 500 mililitros.
O dono do restaurante começa então a receber reclamações de seus clientes, alegando que a garrafa de suco consumida tinha menos líquido que o informado. Com isso, ele decide verificar se as cooperativas estão realmente entregando a quantidade correta de suco nas garrafas e pede que um de seus funcionários selecione 10 unidades de cada suco e verifique o volume em um medidor.
Após a verificação, ele observa que as garrafas de ambas cooperativas tinham em média exatamente 500 ml de suco. Ele então supõe que o problema esteja na variabilidade das garrafas, ou seja, umas devem ter mais e outras menos suco. Sendo assim, pede que seu funcionário meça a variabilidade da quantidade de suco nas garrafas de cada cooperativa.



Como fazer, então, a análise de variação da quantidade de suco nas garrafas?
É nesse ponto que entra em questão o cálculo do desvio padrão.

O desvio padrão

Pesquisando sobre como como medir o grau de variação entre as amostras, o funcionário descobre que da mesma forma que existem medidas de tendência central como a média e a mediana, existem medidas que podem ser utilizadas para detectar a variabilidade de um conjunto de dados, como a amplitude e o desvio padrão.
O desvio padrão é uma medida que indica a dispersão dos dados dentro de uma amostra com relação à média. Assim, quando se calcula o desvio padrão juntamente com a média de diferentes grupos, obtém-se mais informações para avaliar e diferenciar seus comportamentos.
Sendo assim, seu funcionário decide calcular o desvio padrão das amostras de suco de laranja e de suco de uva. Mas, como fazer isso?

Como calcular o desvio padrão?

Para calcular o desvio padrão, você precisa primeiro calcular a variância em relação à média, outra importante medida de dispersão com muitas aplicações na estatística e na teoria da probabilidade.
Para calculá-la é preciso subtrair cada uma das medidas individuais pela média (passo 1) e elevar os resultados obtidos ao quadrado (passo 2). Em seguida você deverá somar todos resultados (passo 3) e dividir pelo tamanho da amostra menos um (passo 4).
Pronto, já temos a variância! Para se chegar ao desvio padrão basta calcular a raiz quadrada desse resultado (passo 5).



Desvio-padrão
Cálculo do desvio-padrão

Como interpretar o desvio padrão?

Após calcular os desvios padrão das amostras dos sucos de laranja e de uva, o funcionário apresenta para o dono do restaurante os resultados conforme apresentados na tabela abaixo.
AMOSTRASUCO DE LARANJA
Garrafa 1446 ml
Garrafa 2450 ml
Garrafa 3554 ml
Garrafa 4547 ml
Garrafa 5486 ml
Garrafa 6498 ml
Garrafa 7440 ml
Garrafa 8560 ml
Garrafa 9451 ml
Garrafa 10568 ml
Média500 ml
Desvio Padrão52,7 ml
AMOSTRASUCO DE UVA
Garrafa 1506 ml
Garrafa 2507 ml
Garrafa 3502 ml
Garrafa 4498 ml
Garrafa 5496 ml
Garrafa 6495 ml
Garrafa 7492 ml
Garrafa 8503 ml
Garrafa 9508 ml
Garrafa 10493 ml
Média500 ml
Desvio Padrão6,0 ml

Mas o que que significam esses desvios padrão de 52,7 e 6?

Ao interpretar o desvio padrão é importante ter em conta que ele assume a mesma medida da unidade amostral, no caso mililitros. Sendo assim, o desvio-padrão do conteúdo das garrafas de suco de laranja é de 52,7 ml e de 6 ml nas de uva.
Um desvio padrão grande significa que os valores amostrais estão bem distribuídos em torno da média, enquanto que um desvio padrão pequeno indica que eles estão condensados próximos da média. Em poucas palavras, quanto menor o desvio padrão, mais homogênea é a amostra.



Desvio padrão
Sendo assim, o dono do restaurante tem uma medida de dispersão capaz de mostrá-lo que o volume das garrafas de suco de laranja varia mais do que no suco de uva.
Mas se o funcionário tivesse selecionado outra amostra de garrafas de suco de laranja e outra amostra de suco de uva a média seria a mesma? Ou a média poderia variar de acordo com a amostra selecionada?
Para resolver essa dúvida temos que analisar o erro padrão da média. Leia mais adiante e descubra como fazer esse cálculo.

O erro padrão

O erro padrão é uma medida de variação de uma média amostral em relação à média da população. Sendo assim, é uma medida que ajuda a verificar a confiabilidade da média amostral calculada.
Para obter uma estimativa do erro padrão, basta dividir o desvio padrão pela raiz quadrada do tamanho amostral. O resultado obtido também estará na mesma unidade de medida do valor amostral.
Seguindo nosso exemplo, com as 10 amostras de cada suco, o erro padrão calculado do volume de suco de laranja nas garrafas foi de 16,7 ml e do volume de suco de uva foi 1,9 ml.

Como podemos utilizar o erro padrão?

Através do erro padrão, pode-se estimar um intervalo de confiança para a média populacional a partir da média amostral calculada. Nesse contexto, o funcionário não precisa abrir centenas de garrafas para verificar como as médias de diferentes amostras podem variar, ele pode utilizar o erro padrão e um nível de significância.
Com um nível de significância de 5%, por exemplo, pode-se construir um intervalo de confiança que terá 95% de probabilidade de conter a média real de líquido presente nas garrafas de suco de laranja.



Erro Padrão e Intervalo de Confiança

Erro padrão e intervalo de confiança

Para calcular o intervalo de confiança basta multiplicar o erro padrão pelo percentil associado ao nível de significância observado em uma distribuição normal padrão, ou seja, que apresenta média 0 e desvio-padrão igual a 1.
Para o nível de significância de 5%, esse valor é de 1,96. Portanto, o dono do restaurante pode ter em conta que existe a probabilidade de 95% do intervalo de 467,4 a 532,6 mililitros (500 ± 1,96 * 16,7) conter a média do volume das garrafas de suco de laranja.
Da mesma forma, pode afirmar que o intervalo entre 496,3 e 503,7 ml (500 ± 1,96 * 1,9) tem probabilidade de 95% de conter a média do suco de uva presente nas garrafas.

A diferença entre desvio padrão e erro padrão

É muito frequente a confusão entre os conceitos de erro padrão e desvio padrão. Apesar de ambos tratarem sobre a variação da média, são conceitos bem diferentes entre si.
O desvio padrão, como vimos, trata de um índice de dispersão da amostra em relação à média, enquanto o erro padrão é uma medida que ajuda a avaliar a confiabilidade da média calculada.
Agora que você já é capaz de diferenciar desvio padrão de erro padrão, não deixe de se registrar em nosso Blog e acompanhar nossas futuras publicações . Caso tenha ficado alguma dúvida, não hesite em entrar em contato com nossos Data Talkers.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Um novo paradigma cultural

Um novo paradigma cultural


IMG_20151221_184420.jpgDesde o desenvolvimento da escrita, o homem criou recursos para poder catalogar, indexar e logicamente arquivar toda a documentação gerada pela cultura humana. Assim surgiram as primeiras casa de armazenagem de informação, ou BIBLIOTECAS (coleção de livros). Por muitos séculos, desde a construção da notória Biblioteca de Alexandria, o processo permaneceu praticamente inalterado, ressaltando é claro, a invenção da imprensa por Gutenberg em 1440. Assim, até hoje, as BIBLIOTECAS são as concentradoras do conhecimento produzido por toda a humanidade. Todavia estamos passando por uma nova revolução, só comparável com a invenção ocidental de imprensa. As mídias digitais produzidas em dispositivos como Discos Lasers (CD’s), magnéticos (HD’s), estado sólido (SSD), e mesmo virtualmente (armazenamento “em nuvem”) alteraram a concepção de biblioteca como um LOCAL, passando a pertencer a qualquer um com acesso a Ampla Teia Mundial de informação (World Wide Web).

Assim, diante desse novo paradigma, fica a pergunta: O que fazer com o antigo modelo de Biblioteca? A resposta imediata é obviamente adaptar este modelo ao novo conceito de não-localidade do conhecimento. Essa é nossa nova proposta de uma BIBLIOTECA aberta a toda a comunidade.

Agora imagine um local que, além dos livros impressos, podemos acessar todo acervo digitalizado? E ainda ter a disposição filmes, música e coleções diversificadas? Assim seria o novo conceito de um lugar para guardar o conhecimento, ao mesmo tempo oferecer a todos os visitantes a oportunidade de apreciar de forma imersiva uma enormidade de informação. Uma BIBLIOTECA viva e dinâmica, aberta à comunidade sempre.

O Acervo impresso


IMG_20151221_184851.jpgOs livros continuam lá, nas prateleiras. Mas utilizando sistemas modernos de locação, os livros serão acondicionados em armários-arquivos. Uma vez solicitados por quiosques informatizados ou mesmo via web e por aplicativos móveis, os livros seriam coletados pelos bibliotecários nos armários-arquivos, sendo feito a baixa automaticamente. Os livros já estarão esperando por você. Com isso os espaços necessários para o acondicionamento dos livros seriam drasticamentes reduzidos.

Nada muda para o leitor que queira pegar vários livros e se sentar numa mesa nas novas e amplas áreas de leitura. Aliás os livros terão etiquetas de proximidade (RFID) para facilitar sua localização em qualquer ambiente da Biblioteca.

Acervo Digital


As cópias digitais serão acessíveis pelas facilidades de rede da biblioteca na forma de streaming, semelhante aos serviços de vídeo on demand, o que garante a proteção contra pirataria. Os estúdios e salas de leitura terão dispositivos para acesso aos livros com a tecnologia e-ink, que além de consumir menos energia, proporciona uma leitura mais natural.

Veja, ouça, sinta

IMG_20151221_184630.jpgAlém dos livros, a biblioteca contará com acervos audiovisuais. O usuário contará com filmes e músicas de diversos gêneros e épocas. Nas salas de multimeios haverão sessões temáticas de obras importantes do cinema, programas educativos e conferências via satélite. Nas salas de leitura, grandes monitores e poltronas com fones de ouvido serão disponíveis para o apreciamento individual. Os estúdios terão dispositivos para seleção de música,  também equipados com conectores auriculares.

E por fim, um grande espaço será reservado para exposições itinerante de coleções. A cada mês um tema dará o enfoque a uma exposição convidada. Todo material permitirá interatividade com o público, através de painéis multi-toques, projetores e sistemas de sonorização.

IMG_20151221_184802.jpgAmbiente cultural


Além do espaço de uso do acervo, haverão ambientes para recreação e alimentação. Uma ampla jogoteca para crianças e adolescentes. Cafeterias com temática filosófica. Banca de revistas e livraria. Lanchonetes e um bazar com material de escritório e papelaria.

Enfim, uma sinergia completa no conhecimento humano, através de uma profunda imersão cultural. Assim é a visão de uma Biblioteca do futuro, cuja missão, além de reservatório da informação, será de difundi-la, atraindo o interesse da sociedade.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Virtudes de um metal ruim

SBZ



Artigo em destaque: Virtudes de um metal ruim.

2016-04-29

O artigo científico com participação de membros da comunidade brasileira de pesquisa em Materiais em destaque neste mês é: Electronic localization and bad-metallicity in pure and electron-doped troilite: A local-density-approximation plus dynamical-mean-field-theory study of FeS for lithium-ion batteries. Craco, L; Faria, JLB. J. Appl. Phys. 119, 085107 (2016); http://dx.doi.org/10.1063/1.4942843

Virtudes de um metal ruim

Imagem computacional da estrutura cristalina da troilite (FeS) com inserção de íons de lítio. A produção da imagem, que foi elaborada pelo professor Jorge Faria para ilustrar esta matéria, começou com a modelagem da troilite pura. Posteriormente foram feitas análises numéricas por meio de aproximação de densidade local (LDA) utilizando métodos baseados na teoria da densidade funcional (DFT) para obter os parâmetros de rede com diferentes concentrações de lítio e observando a sua posição mais estável na célula unitária.

Por apresentarem uma série de vantagens, baterias recarregáveis de íon-lítio são os dispositivos de armazenamento de energia elétrica mais encontrados nos eletrônicos portáteis (smartphones, tablets, laptops…). Além disso, essas baterias apresentam bom potencial para uso em carros elétricos, entre outras aplicações.
Motivado pela potencialidade dos sulfetos de ferro (FeS) para uso em eletrodos de baterias recarregáveis de íon-lítio de próxima geração, Luis Craco, professor do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso (IF-UFMT), empreendeu, junto a seu colega Jorge Luiz Brito de Faria, um estudo teórico sobre o comportamento da troilite (uma fase do sulfeto de ferro que é isolante a temperatura e pressão ambiente) dopada com íons de lítio.

No estudo, Craco e seu colaborador buscaram compreender o que acontecia na troilite depois da dopagem eletrônica – um procedimento que pode transformar um isolante em semicondutor ou em metal ruim por meio da inserção de átomos (no caso, íons de lítio) que promovem uma reorganização na estrutura do material, introduzindo elétrons nela.
Cluster de alta performance computacional do IF-UFMT: a possibilidade de processamentos paralelos encurtou o tempo necessário para fazer os cálculos.
O trabalho começou com uma série de cálculos de primeiros princípios baseados na teoria da densidade funcional (DFT) realizados pelo autor Jorge Faria. Esses cálculos utilizam dados de estrutura cristalina obtidos experimentalmente. A seguir, Luis Craco efetuou um estudo detalhado, mediante cálculos baseados na teoria de campo médio dinâmico (DMFT), do efeito das correlações eletrônicas entre elétrons em diferentes orbitais (regiões em volta do núcleo de um átomo nas quais um elétron tem chance de estar presente). Nessas correlações, uma mudança experimentada por um elétron de um orbital provoca uma mudança relacionada em outro elétron de outro orbital. Elétrons correlacionados atuam coordenadamente, apesar de estarem espacialmente separados. “Cabe lembrar que a descrição teórica introduzida neste trabalho é totalmente nova no contexto da troilite e seus derivados, bem como em outros compostos contendo o ferro e o enxofre como elementos constituintes básicos”, diz Luis Craco.

Em artigo recentemente publicado no Journal of Applied Physics, os professores da UFMT reportaram uma descrição das propriedades eletrônicas e de transporte na troilite dopada e mostraram que o material apresenta comportamentos não-convencionais. De fato, apesar de que o sulfeto de ferro se mantem isolante inclusive tendo altas concentrações de lítio, as simulações computacionais da dupla mostraram que nele emergem estados metálicos após alta dopagem eletrônica. Nesse estado próximo à transição isolante – metal, o material pode ser classificado como isolante de Mott. Além disso, os autores constataram que os estados metálicos emergiam apenas em determinados orbitais atómicos, o que constitui um comportamento de “metal ruim’; ou seja, um comportamento diferente daquele que se espera de um metal dentro de teorias consolidadas na Física.
Ser um metal ruim, contudo, não implica ser banido do universo das aplicações. Muito pelo contrário, de acordo com o artigo, o comportamento incoerente dos elétrons no sulfeto de ferro dopado pode ser aproveitado para chegar a efeitos ópticos e de transporte não convencionais sem sair da temperatura e pressão ambiente.
“Este trabalho faz parte de um esforço continuado envolvendo vários pesquisadores no Brasil e no exterior, o qual tem por objetivo demonstrar claramente que sistemas com elétrons correlacionados representam uma classe importante de materiais para aplicações tecnológicas variadas”, comenta o professor Craco.

“Agora nós esperamos que a comunidade científica, relacionada à física de sistemas de elétrons correlacionados e/ou física de materiais, por exemplo, tome conhecimento do nosso estudo e resultados, e possa num futuro próximo corroborar a nossa descrição teórica das propriedades eletrônicas e de transporte não convencional na troilite dopada com elétrons, consolidando assim a relevância do nosso estudo para futuras aplicações da troilite e seus derivados no armazenamento de energia renovável ou na geração de novas fases eletrônicas não convencionais tipo não-líquidos de Fermi com grande apelo cientifico e tecnológico contemporâneo”, conclui Craco.
A pesquisa contou com financiamento do CNPq.